A Voz da Névoa: Capítulo 5

Parte 7 – A dama das sombras!

A noite estava alta, o beco silencioso, sendo audível apenas ao longe o som dos carros, das gritarias e dos tiros. Fumaça saía dos canos e dos bueiros para se misturar  com a névoa e o jovem Dois Meia, com suas mãos trêmulas, perfurava a escuridão com sua fraca lanterna.

 

“ei vadia!”

 

Dois Meia parou, desligou sua lanterna e se escondeu, tudo tão naturalmente que chegava até ser estranho para ele mesmo.

 

“que homem mal educado!” Dois Meia via na escuridão três sombras, sendo uma delas a de uma bela mulher de cabelos longos; “chamar uma dama de vadia não é algo para se fazer no primeiro encontro. Ser dispensado não é motivo para ser chato!”

 

“cala a droga da sua boca! Você nos ferrou, ferrou com toda nossa corporação! Isso não pode acontecer, você sabe o que vamos perder por sua culpa?”

 

“algo entre 30 a 50 mil Rp por mês … pena, seria um negócio lucrativo!”

 

“não tira com a minha cara. Foi culpa sua o negócio não ter ido adiante! Você tentou matar o fornecedor e ficar com a carga só pra você! Que idiotice, estávamos dispostos a entrar com o capital, não ligaríamos de perder a quantia! Porque você tentou ficar com tudo?”

 

“huh? Eu? É claro que não! Eles que tentaram pegar tudo de mim, eu só defendi o nosso capital! Seríamos tapeados se não fosse eu!”

 

“isso não faz sentido … para o que? Por quê?!”

 

“talvez eles tenham ficado desconfortáveis em negociar com a dama que sou!”

 

Um cigarro foi aceso na escuridão pelo homem parado, estático que não gesticulava como a outra sombra.

 

“eles querem que eu te mate …”

 

“como?”

 

“eles querem continuar o negócio, porém, você sabe, querem sua cabeça como garantia.”

 

“e você vai me matar? Acho que não? Se fosse assim, você não me avisaria… então o que foi?”

 

“nada, não vou te matar, já sabe … só estou falando que os nossos laços terminaram a partir de agora. Adeus e passar bem!”

 

As duas figuras masculinas se dirigiram para fora do beco. Uma das figuras, em especial, jogou o cigarro, ainda aceso no chão e pisou em cima.

 

A figura feminina ficou parada olhando para as costas do dois.

 

“mas quem diria … ele teve a capacidade de acabar com a nossa sociedade mesmo … bem … dana-se”

 

A mulher se dirigiu para fora do beco também, porém, pelo caminho contrário – na direção onde o nosso protagonista se escondia em sua lixeira.

 

Nosso protagonista, vendo isto, tremeu!

 

“ei! Peguem ela!”

 

“como?” A silhueta feminina parou por um momento e viu nos pequenos edifícios de cada lado do beco, homens vestidos de terno que desciam pelas saídas de incêndio. Ela suspirou e continuou; “mas é claro … como eu poderia ser burra o suficiente para pensar que eu saíria impune …”

 

[VRRRUM!]

 

Nas duas entradas, carros negros invadiram, saindo dele, homens armados com bastões e correntes.

 

A mulher ficou cercada!

 

“olá garotos, vocês vieram aqui para brincar? Pensei que estivessem cansados de  apanhar para grandíssima eu!”

 

Um homem alto, segurando um bastão enorme, riu alto e respondeu, no meio do grupo que cercava a mulher.

 

“hahaha! Você é engraçada, muito engraçada! Espero que você mantenha esse senso de humor quando cada um daqui brincar com esse corpo!”

 

“nossa, que pessoa bruta! Fico com medo de pensar que escórias como você andam por aí, impunemente, fazendo o que quer!”

 

“espera? A ladra aqui é santa? Você matou 6 dos meus melhores homens, chega ser irônico você falar sobre brutalidade, mesmo quando você deixou muita gente zangada, querida! Assuma as consequências com o seu corpo, agora! Redima-se de seus pecados!”

 

No total haviam 16 homens dentro do beco, pelo menos foi isso que o nosso protagonista, tremulento e ansioso, viu atrás da lixeira.

 

“peguem ela!”

 

Todos os homens, como uma onda, foram atacá-la, porém, como uma sombra, ela evaporou na névoa reaparecendo atrás de um homem, ingênuo e fraco, que estava ali apenas para participar do terrível linchamento, para se vingar da pessoa especial que essa mulher matou.

 

“como?”

 

Ela, com uma faca de desossar carne, atravessou sua nuca, fazendo-o o morrer com os olhos abertos, surpreso.

 

“mas o que!”

 

Os homens tentaram bater nela com os seus bastões, porém, como uma sombra, ela sempre se esgueirava, de um lado para o outro, sendo impossível de atacá-la ou sequer tocá-la.

 

Esses homens, com um espírito maligno elevado, começaram a bater cabeça enquanto, majestosamente, a mulher continuava a desviar de cada golpe.

 

“vocês são muito fraco, creio que deveriam ter trago mais pessoas para essa batalha, meus amigos idiotas!”

 

Dois Meia, atrás da lixeira não conseguia ver bem na escuridão, porém, ele ainda sentia a força que aquela mulher exalava de longe.

 

‘essa mulher é forte’ Ele pensou; ‘como ela é tão forte?’ Dois Meia terminou.

 

A mulher enfrentava quatorze ao mesmo tempo, e os sufocava sem sequer tocá-los.

 

Um quadro realmente impressionante.

 

A mulher parou, então, ela estava de costa para a entrada do beco, conseguindo fugir, com todos os êxitos, do cerco que os homens criaram.

 

“parece que vocês realmente são retardados!”

 

Os homens tentaram avançar, porém, como o beco era estreito, não era mais possível ir dez para cima dela ao mesmo tempo, podendo ir apenas cinco de cada.

 

Ela avançou contra os cinco, empunhando em mãos, as facas de cozinha que ela jogou contra o grupo.

 

[argh!]

 

As facas atravessaram o crânio de dois homens que caíram no chão com olhos esbugalhados enquanto ela sacava, de um suporte escondido nas suas costas, mais duas facas.

 

Os homens remanescentes da primeira horda, atacaram-na com seus bastões, ou melhor: atacaram sua sombra.

 

“olá bebês!”

 

Ela degolou o primeiro descompromissado. Um dos colegas que a viu, atacou-a com um golpe lateral, porém ela se esquivou e enfiou uma faca, como um uppercut, no homem.

 

A faca ficou por lá mesmo enquanto ela desviava do último que aparecia.

 

‘ela é incrível, mas vai morrer!’O jovem escondido atrás da lixeira pensou; ‘ela só deu dois passos e agora está de novo encurralada!’

 

De fato ela estava. Os homens que se espremiam para acaba com ela, outra vez se encontravam por toda a parte, a não ser, porém, que dessa vez haviam apenas 10 pessoas para tentar destruí-la.

 

“você é boa, mas não pode contra tantos!”

 

Eles atacaram, ela desviou, eles bateram cabeça e, divinamente, se infiltrando outra vez nas costas do inimigo, ela conseguiu matar mais um dos capangas.

 

Ela tinha um jeito estranho de lutar, como podem ter percebido, essa estranha mulher evitava lutar de frente, desviando sempre que possível, atacando apenas para matar.

 

Para o nosso protagonista era estranho e excitante vê-la se infiltrar entre os inimigos e matá-los tão rapidamente.

 

‘rápida e mortal como uma pistola!’ Dois Meia quase exclamou alto em seu pequeno observatório.

 

Os passos sussurrantes da mulher sombria foi de um lado, para o outro, indo e voltando com os seus braços em toda a parte, como uma cobra, cobiçando a nuca de cada um, para o seu beijo mortal.

 

[slash]

 

O sangue manchou todo o beco e a figura sombria da mulher jazia em pé em cima de uma pilha de cadáveres.

 

Menos de cinco minutos se passaram e todos aqueles que desejavam lhe destruir, morreram sem nem mesmo ver sua morte. Dois Meia se impressionou com sua força e, de certo modo, invejava-a por ser assim.

 

“saia daí garoto e venha até aqui!”

 

A estranha mulher olhou para o início do beco, onde a lixeira/refúgio escondia o nosso protagonista e com uma voz cortante, perfurante e ao mesmo tempo doce, excitante, ela disse.

 

Dois Meia tremeu e fingiu não escutar nada.

 

A mulher, no entanto, voltou a falar.

 

“se não sair daí, não terá uma segunda chance!”

 

Num movimento rápido, Dois Meia saiu de seu refúgio e olhou para a dama sangrenta que se encontrava na sua frente.

 

A bela dama, com frios olhos vermelhos e quente cabelo ruivo, mordeu a língua, estalando-a insubordinadamente para si mesma.

 

“garoto, você não viu nada, entendeu?” A mulher disse, porém, nosso protagonista, num pensamento esporádico e incompreensível, decidiu não falar nada; “ei, está aí? Veja bem, se você contar para as pessoas o que viu aqui, vai ser problemático, entendeu?”

 

“não …” Dois Meia disse, se tremendo.

 

“como assim não? Será que o senhorzinho é rebelde e quer uma bala?”

 

A mulher tocou no ombro do jovem Dois Meia e sentiu algo estranho o suficiente para fazer sua expressão alegre e serena mudar para uma distorção complexa de sentimentos mistos e contrários.

 

“quem é você garoto?”

 

Dois Meia tremeu, ele não sabia o que estava acontecendo e nem o que aconteceria, apenas que, a opressão causada por essa mulher era, sem sombras de dúvida, algo para fazer seu coração parar por um segundo de medo, quase como se um monstro estivesse te observando.

 

“eu … eu …”

 

A mulher socou Dois Meia no queixo de repente e o mesmo desmaiou rapidamente se encontrando, por uma terceira vez, no idílico plano de ideias com um sorridente e surpreso velho que batia palmas.

 

“Bem-vindo de volta moleque … vejo que você está com problemas!”