A Voz da Névoa: Capítulo 3

Parte 5 – A carta!

Após aquele violento episódio na sala de aula, Nove Meia voltou para a sala, com os punhos manchados de sangue e diversos hematomas no rosto. Quando alguém te perguntava o que houve, ele respondia: “você tinha que ver como estavam os outros caras!”

As garotas da sala o paqueravam, os meninos o louvavam, e o nosso protagonista em seu canto se queixava.

Ele era um covarde e um invejoso.

A aula acabou e ele foi embora, ainda era apenas meio-dia, ele ainda tinha o meio expediente para fazer e o seu péssimo dia para continuar.

Sendo assim ele desceu as escadas onde delinquentes fumavam, passou pelo refeitório onde a gangue vencedora escutava música e festejava, seguindo em direção ao corredor sujo com armários depredados e paredes pinchadas. Saindo, ele se encontrou com sua bicicleta nova em perfeito estado, porém, com uma carta colada, com durex transparente, no guidão.

Ele abriu, aturdido, e leu. O conteúdo da carta era baseado em apenas três linhas essenciais que encheu o nosso protagonista com um sentimento distinto: ansiedade e paixão.

Essas linhas, belas mas vagas, diziam apenas:

“vejo que você me vê; quero te vê também; me encontre às nove no beco leste do orfanato de Saint Mary; PS: aquela que também te vê.”

As mãos de Dois Meia tremiam, seu corpo entrava em frenesi e sua alma flutuava. Seu paraíso pessoal foi descoberto em um minuto breve e todo o seu ser estava feliz com isso.

Dois Meia foi contente para o meio expediente, que ficava numa fábrica de pilhas perto da praça de Parthré Soint.

Sua bicicleta cantarolava cortando a névoa e a paisagem depredada, enquanto o dono assobiava alegremente.

Nosso protagonista estava tão alegre que o seu dia, repleto de descarregamento de caixas, limpeza em lugares diversos e montagem incessante de pilhas brilhantes de plutônio, foi até recompensador, passando de uma forma tão rápida, que Dois Meia nem sentiu as dores no corpo, o costume estranho do seu peito doer e outros derivados do seu trabalho diário na fábrica.

A noite – a tão esperada noite – surgiu rapidamente e Dois Meia saiu de seu expediente.

Em direção ao orfanato, ele ficou imaginando, pela milésima vez naquele dia, quem poderia ser aquela que o esperava no beco leste?

“será que é ela? Não pode ser, não nos falamos nenhuma vez!”

As noites no bairro de Blacklight eram perigosos. Os becos escondiam a luxúria, a violência e a miséria; Os bares e boates estavam cheios e os sons recorrentes de tiros era escutado por toda a parte.

Sussurros por socorro ecoavam pela névoa e o resto era fúnebre.

Nosso protagonista desviava do cenário mórbido pela rota que ele havia composto em prol da sua sobrevivência, fazendo com que o cenário não amedrontasse Dois Meia mais como deveria.

Ele virou para o beco leste, o local estava escuro e enlameado. Dois Meia decidiu ligar uma lanterna e a figura de uma silhueta feminina apareceu.

Ele parou a bicicleta, enquanto suas bochechas coravam de ansiedade.

“olá” Ele disse para a figura sem reconhecer muito; “você é a garota da carta? Aquela que me vê?”

Dois Meia estava excitado.

“sim” A voz era doce e recheou nosso protagonista com um sentimento estranho; “eu sou aquela que te vê … e castiga!”

A garota se virou rapidamente e sacou, de dentro do seu sobretudo, um cassetete de segurança, golpeando Dois Meia, aturdido, na têmpora.

Seu cérebro latejou enquanto caía e a visão de uma bela garota de pele morena e cabelos brancos apareceu rapidamente.

[Argh]

A garota, vestida de um sobretudo com capuz, montou em cima de Dois Meia e, com o cabo de seu cassetete, bateu e bateu no nosso pobre protagonista que tentava se defender, com todas as forças daqueles golpes maciços.

‘mas por que?’

No canto dos olhos, do fraco 162, lágrimas escorreram fazendo com que um sentimento extremo de prazer e asco brotasse no peito do carrasco que o castigava.

“hahahaha!”

Ela ria e ria a cada golpe.

Enquanto isso, feridas abriam na cabeça de Dois Meia e sangue caía.

A sádica se levantou, Dois Meia por um minuto pensou que seu castigo tinha terminado, porém um chute em sua costela mostrou que, pelo menos, dali não sairia com vida.

Ele rolou dois metros com dor. A menina, coberta pela escuridão, lançou um pisão em seu rosto e depois ela bicou sua têmpora.

Dois Meia se encolheu na lama, porém outro chute veio em sua costela, quebrando-a em uma dor inimaginável.

“pare!”

Uma voz no fundo soou.

“você não deseja manchar suas mãos com um verme desse gênero!”

A menina olhou para Dois Meia e cuspiu, fugindo do beco e escorregando na névoa em seguida.

Enquanto isso, a Consciência de nosso protagonista caiu no abismo de sua mente.

‘mas afinal … quem era ela?’

Nosso protagonista voltou para o mundo de sonhos!

A diferença é que em vez de lavandas, rosas surreais compunham o mundo do qual apenas um velho residia.