A Voz da Névoa: Capítulo 0

Prólogo para um distrito em chamas!

 

Em algum lugar, perto das fábricas de maquinários, longe da polícia automatizada e dos burgueses de classe média que dominavam os espaços delicados e verdes das bases das mais altas torres, um distrito … envolto em névoa fétida e cinzenta caída das chaminés das fábricas que a circundam, se encontrava.

Esse distrito, criado após a décima quarta nova, durante a expansão resultante do pioneirismo neste solo marciano, que permitiu a humanidade caída recuperar sua vida parasita, onde os seres humanos são reduzidos a sua função, empilhava protestantes que levantavam suas armas em discórdia pelo favor de seus iguais, vivendo como marginais sujos, que contrabandeavam, matavam, roubavam, com o único motivo de está, ao menos, no topo desta base sofrida e calada.

Nesse também haviam as pequenas proles, que eram jovens trabalhadores, vivos em uma vida insalubre, que trabalhavam feitos cavalos para obter do favor daqueles que os empregavam, para assim, talvez, obterem uma vida ao menos digna, longe dessa, pouco sadia.

Ainda nestas ruas, envolta de destruídos, prostitutas que caíam pelas ruas, drogadas como foram, rogando por algum troco, para assim sustentar seu vício, suas crias, e talvez seus pais, que foram, sem generalizar, os grandes estupradores de sua vida, forçando, desde cedo, as mesmas nesta condição tão horrível.

E neste cabaré, onde as lojinhas de mercearia eram coagidas pelos grandes bandidos; os puteiros, invadidos por bêbados, sendo saturados por drogas e malícia; e as fábricas despejando sua fumaça por toda a parte, um homem novo, de rosto limpo e belo, caía em meio a chuva gélida, num beco escuro, mesmo naquela tarde clara, com o peito aberto, que deixava cair ao chão, o sangue carmesim e bárbaro, que muitos ali já estavam acostumados.