Radiation Parte VIII [Pedaço II]

Parte VIII [Pedaço II]

Naquele dia, pegamos tudo o que podíamos do quarto, carregando as Ak’s e os cartuchos, além de nossas próprias mochilas; fugindo pelo duto de ar; abarrotados; um de cada vez; saindo daquele mórbido lugar que não se cansava de danar a minha mente.

No outro quarto; onde nos víamos surpresos; não havia ninguém, apenas uma luz ligada e uma porta trancada, além de tudo aquilo que estava guardado pela ausência de pessoas. Sthefani se mostrava bem alegre com o fato, olhando as dispensas cheias e a geladeira farta. Todavia, não compartilhei desse sentimento, num primeiro momento, me reduzindo num sorriso, sarcástico.

Era irônico o fato de que, ao lado, duas crianças morreram de fome. Parecia até surreal demais para mim, por isso eu sorria daquele modo, tão estranho, no lugar onde eu tudo observava, me fazendo ir em direção ao banheiro, tentar procurar alguns remédios para a minha louca cabeça doente.

Nesse local, eu encontrei uma pequena caixa de remédios, cheio com gazes, analgésicos e pomadas, além de um pequeno mapa enrolado dentro de um pote de pílulas, junto com alguns pinos, do qual Sthefani afirmaria ser para cocaína. Fiquei curioso, não com o pino, mas com o mapa, que parecia ser dos esgotos de alguma cidade chamada São Gabriel. Lembro que nela havia um grande círculo em preto, apontando para algumas das saídas.

Era interessante, por mais que não ajudasse muito no fim. No entanto, ainda não mostrei ele para Sthefani, o guardando no bolso da minha calça. Sobre a caixa: a levei para sala, onde Sthefani tentava colocar todos os alimentos não perecíveis em sacolas plásticas barulhentas, numa estranha luta de ensacoladores.

o que você tem aí?” Foi a primeira coisa que ela me perguntou quando apareci de volta ao quarto. Lembro de ter um sorriso tolo, parecido com o de uma criança que trazia uma joia no bolso, fazendo Sthefani rir também, curiosa.

tenta adivinhar?” Era dessa forma que eu seguia, silencioso pelo quarto, pondo a caixa de remédios em cima da cama box, e abrindo-a. Sthefani se aproximava, silenciosa também, e, abrindo a caixa, acabou aumentando o sorriso.

cocaína é droga de empresário, você sabe né?” Ela dizia enquanto retirava um pino da caixa, olhando-o como um cientista analisa um tubo de ensaio. Era engraçado a visão; “parece que a pessoa que vivia aqui tinha uma vida interessante!”

Eu concordei com a cabeça, enquanto me sentava. O pino estava vazio então não tinha muita diversão, me fazendo ir de encontro com outras coisas; como por exemplo as fotos do quarto, onde normalmente se via apenas um homem com uma mulher idosa; ele vestido com blusas Havaianas extravagantes e ela com vestidos antigos, de cores claras. Sinceramente nem mesmo parecia que ele era um viciado ou traficante, pelo menos não por aquelas fotos. Pena que não me importava de todo, por mais que eu me encontrasse num completo tédio.

Acabei indo buscar uma corda no armário daquele quarto, por fim; no entanto, uma coisa que aprendi muito com armários é que você sempre encontra bem mais do que deseja; sendo que lá, num pequeno vão escondido dos olhos humanos, acabei achando um saco com maconha, além de um maço de dinheiro, que fez Sthefani, que terminava de ensacar tudo, rir bem alto, enquanto corria subitamente até mim, agarrando o saco com a droga.

eu não uso isso desde o meu primeiro ano de faculdade” Ela dizia enquanto abria o saco, exalando o odor que saía dali; “não que eu sinta muitas saudades, mas assisti filmes com isso … meu amigo, é outra experiência!”

Com o saco na mão, ela começou a procurar no armário algo chamado seda, tirando todas as roupas dali, vasculhando as caixas de sapato, até encontrar no bolso de uma camisa, um pacote dizendo ser do modelo king size de seda. Todavia, para o meu desespero, não havia nenhuma corda.

Pelo menos saímos daquele quarto com bolsas cheias de compras … pelo menos …

Nota do Autor:

Parte curta por ser a continuação do capítulo da semana passada.