Radiation Parte VIII [Pedaço I]

Os fatos que há no quarto!

E lá, naquele quarto, procuramos, em meio ao caos e o cheiro pútrido da morte algo que nos desse uma direção; que nos ajudasse a sair daquela caixa de sapatos; da sepultura que ainda nos observava. Era necessário, pois as portas estavam barricadas e sem minha corda não havia como fugir daquela ilhada. No entanto, as gavetas não revelavam quase nada, e a ausência de porta-retratos nos fazia pensar até mesmo que esse lar talvez tivesse sido governada por fantasmas, num passado não tão distante.

Acabei sendo forçado a passar o pente fino no apartamento, abrindo o armário e tirando tudo que havia por lá, encontrando, debaixo de um amontoado de roupas, uma caixa trancada com cadeado. Eu e Sthefani acabamos ficando um tanto surpresos, pois, com o fato de que desconhecíamos quem estava naquele quarto, poderíamos supor muitas coisas, com nossa imaginação fértil! Pena que o cadeado nos impedia de descobrir o que era, embora nós ainda procurássemos pelo quarto por alguma chave.

Continuei procurando ali, até achar um furo no colchão, cujo abrigava um pequeno papel, onde estava escrito: “Hoje!”. Eu mostrei para Sthefani, que demonstrou algum interesse, retomando a procura, do qual eu ficava no quarto e ela no banheiro.

Todavia, com certo tempo passado, eu não consegui encontrar mais nada, me sentando naquele colchão pensando nas crianças mortas incendiadas, que tinha seus corpos carbonizados nas ruas, sendo, talvez, devoradas por aqueles infectados malditos. Eu imaginei a dor, por um só momento, me lembrando da fome que talvez elas tivessem passado, me lembrando então, que tal fato não era novo; que diversas crianças morriam desse mesmo modo todos os anos, em diversas partes do mundo no passado e, não só isso, como diversas outras tipos de tortura e maus-tratos também, no entanto, isso não aliviava nada.

Eu fiquei inerte nesses pensamentos, até me lembrar: “não checamos os seus bolsos!”. Oh que vida difícil, porém não dava para fazer mais nada. Os corpos daquelas crianças estavam carbonizadas junto com suas roupas, além de que, no intervalo em que eu procurava, uma grande quantidade de infectados haviam se juntado ao redor do corpo flamejante.

Eu fiquei rezando para algum deus morto que, realmente, nada viesse de lá, pois senão nunca me perdoaria por aquilo.

Ei!” Após algum tempo, Sthefani disse do banheiro e eu logo me levantei para vê o que era; “achei uma coisa bem legal aqui!”

Nas suas mãos havia uma pequena chave de metal emaranhada num chumaço de cabelo molhado; que parecia bem nojento, no entanto, Sthefani não aparentava se importar, retirando os cabelos daquela chave com uma certa destreza. Eu fiquei impressionado com a ausência de brilho, mas não me preocupei tanto, a pegando em minhas mãos, em seguida, e a observando.

Acabei me decepcionando, pois a marca da chave não batia com a da fechadura, todavia, testamos assim mesmo, por mais que fosse certo a incapacidade de nossa parte em abri-la … ou não, visto que Sthefani se emputecia com o fato de nossa impotência, dando coronhadas efetivas, que amassava aquela tranca até, enfim, quebrá-la.

isso!”

Me lembro de ter rido com a cena, junto com Sthefani, pois, realmente, foi uma grande idiotice de ambas as partes não ter pensado nisso anteriormente. Mas o riso não durou muito, pois a curiosidade gritava por trás do meu ouvido, me fazendo, rapidamente, abrir a maleta, onde no seu interior decepcionante que, no entanto, não se dava para vê muito, havendo nada mais do que a não ser espuma preta, no formato de uma pistola 9 mm, que a polícia civil normalmente usava, guardando-a.

Foi um bom achado, admito, mas não nos ajudava muito naquela situação, principalmente pelo fato de que a pistola não vinha acompanhada com munição, tendo apenas uma bala na agulha, sendo que até Sthefani suspirava, decepcionada, com o fato.

Voltamos as nossas buscas, pois agora havia em nossas mãos uma chave, do qual, com certeza, abriria algo naquele apartamento, precisávamos apenas descobrir o que; indo para a cozinha, único lugar até aquele momento do qual nós ainda não havíamos procurado nada, pelo seguinte motivo de que era doloroso; só um pouco; ir lá, visto as circunstâncias que nos afligiam.

Verificamos os armários da cozinha, encontrando apenas um saco de pão mofado e copos plásticos. Na pia, muita louça também se encontrava, mesmo não havendo nenhum tipo de alimento. Formos olhar a geladeira também, encontrando apenas água gelada e, na lixeira, havia diversos tipos de embalagens e latinhas, além de pedaços de papéis picados. Sthefani tentou ajuntá-los, enquanto eu movi o fogão, encontrando em minha frente, um pequeno duto de ar que se conectava ao outro quarto.

agora entendo!” Sthefani dizia ao meu lado, enquanto eu dirigia o meu queixo por cima do seu ombro para lê o fragmento; “sabe aquela mulher que se suicidou no beco? Então, ela é a mãe dos pivetes!”

Olhando o fragmento, realmente o argumento de Sthefani era coerente, pois nele se dizia que certo grupo de homens que foram, não voltaram, estando em alguma sepultura, onde os seus corpos eram violados. Dessa forma, o autor concluía que era dever dele se juntar a esses cadáveres; sem antes pegar, é claro, aquilo que lhe era devido; para, proteger suas próprias crias.

então no fim” Me lembro de ter falado, sem demonstrar muita emoção; por mais que eu sentisse muito naquele peito doído; “a culpa foi realmente completamente minha …”

Eu terminei a frase ali, não faria muito sentido continuar, pois realmente, eu pensava, não traria ninguém de volta. Talvez aquele fosse o exato momento onde eu começava a vê o mundo com outros olhos; com olhos mais insensíveis; sabe, para o bem-estar da minha própria insanidade …