ESE: Capítulo 10

Caminhos diferentes para pessoas diferentes

 

Doncrow olhou friamente para a mulher que agonizava em dor.

 

“Realmente…nós estamos na floresta das Cobras-Graveto, não é mesmo?” Doncrow fez uma pergunta retórica a mulher. Apesar de já estar no leito de morte e saber que iria morrer de qualquer forma, ela ainda assim não podia evitar de tremer.

 

“N-NÃO..P-POR F-FAVOR..” Com os braços e as pernas cortados e ela jogada no chão em cima de uma poça feita do próprio sangue ela começou a chorar, não era um choro de tristeza e sim de desespero. Desespero, pois ela já sabia o que estava por vir.

 

*Ping**Ping*Ping**Ping*

 

Gotas de água começaram a cair. Doncrow olhou para o céu e depois olhou ao seu redor, ele olhou para as várias árvores, que havia em volta, e então seu olhar pousou em uma, em específica, que não aparentava ter nada demais. Com passos lentos ele foi até a árvore e deu um soco normal. Nada de especial. A árvore balançou e dezenas de cobras caíram da árvore. Era realmente uma cena horripilante. As Cobras Gravetos investiram na direção de Doncrow, ele olhou para as pequenas coisas insignificantes e bufou: ”Humff!” Com um acenar de sua mão as cobras foram jogadas na direção da mulher.

 

A mulher tremeu e tentou se mexer, mas ela estava fraca demais, sua força já havia se esvaído junto a seu sangue. Ela só podia ver como as cobras começaram a subir em seu corpo. Em poucos segundos centenas de cobras mordiam ela. Uma das cobras estava em cima da cabeça da mulher e lentamente ela desceu até o rosto dela. A mulher reuniu seu último pedaço de força e então bateu sua cara no chão.

 

*Ploft*

 

A cobra foi esmagada e ela suspirou de alívio. Infelizmente, quando ela movimentou seu próprio corpo bruscamente, as outras cobram ficaram agitadas e começaram a mordê-la ainda mais. Uma outra cobra fez a volta pelo seu pescoço e estava indo em direção a seu ouvido. Para o infortúnio da mulher, ela estava sem forças, além de ter seus braços e pernas cortados, ela estava sendo mordida continuamente pelas cobras, o que obviamente fez com ela fosse afetada pelo veneno paralisante.

 

*Ping**Ping*Ping**Ping*

 

A chuva começou a cair.

 

A cobra entrou em seu ouvido.Calmamente a cobra foi entrando. Ela sentiu seu ouvido começar a ser perfurado e a única coisa que podia fazer era chorar.

 

Lágrimas escorriam do rosto da mulher enquanto ela olhava para Doncrow. Ele olhava para ela friamente. Seus olhos pareciam dizer:’ Eu estou sendo misericordioso.’

 

A cobra dentro de seu ouvido começou a morder. Cada mordida da cobra fazia com que ela tremesse e isso fazia as cobras ficarem agitadas. Duas cobras subiram o seu rosto e entraram dentro de seu nariz. Infelizmente para a angústia maior da mulher, as cobras não entraram uma em cada narina e, sim as duas em uma narina só.

 

Doncrow olhou em direção ao cadáver de Ashley e ficou surpreso com o que viu.Todos os bandidos estavam mortos. Sem exceções. Em meio aos vários bandidos mortos estava One, os dois olhavam um para o outro, a chuva lavava as roupas manchadas de sangue de One enquanto ele segurava uma espada de ferro em meio a vários homens mortos. Essa cena era aterrorizante, ainda mais quando era protagonizada por um jovem de 13 anos.

 

Doncrow olhou por um instante para a mulher, que já estava a beira de morrer e começou a caminhar em direção ao cadáver de Ashley. A mulher já poderia ser considerada morta, não havia nada com que se preocupar. Na verdade, a sorte seria da mulher se ela morresse aqui, pois se Doncrow a encontrasse novamente ela poderia ter certeza que conheceria um verdadeiro demônio.

 

Com passos lentos em meio a chuva Doncrow chegou ao lado do cadáver de Ashley e se ajoelhou, seus olhos não eram mais frios e sim cheios de afeto. Ele amava sua neta, mas nunca esperava que ela morresse assim.

 

De repente seu rosto ficou pálido. Ele colocou sua mão velha na boca e sangue escorreu, ele olhou para a mão que estava molhada de sangue.

 

‘Aquele ferimento ainda me afeta.’

 

Doncrow Zirchen. Esse era um nome que foi conhecido por todos no Estado de Aullendorf, a algumas décadas atrás. Ele era um gênio quando jovem e ganhou consecutivas batalhas. Infelizmente por motivos desconhecidos ele desapareceu e foi por esse motivo que a líder dos bandidos nunca esperava encontrá-lo. Havia várias teorias sobre o seu desaparecimento. O mais famoso era que ele havia morrido, mas ninguém imaginaria que o gênio Doncrow estivesse como protetor de sua neta.

 

*Suspiro*

 

Doncrow suspirou, ele havia sido um gênio, mas devido a um ferimento sua vida foi grandemente afetada. Como sua neta queria participar do exame de admissão a Seita do Fogo Celestial ele se voluntariou como protetor, mas agora sua neta estava morta. Ele podia ter sido famoso, mas agora era só um velho que não conseguia nem proteger sua neta, os olhos de Doncrow estavam cheios de lágrimas, ele passou a mão e as limpou.Com as duas mãos ele pegou o cadáver de Ashley, o corpo dela estava encharcado de sangue e a temperatura estava caindo, logo, logo cairia abaixo da temperatura 0.

 

Ele acenou e um vento forte passou fazendo que o sangue em excesso fosse jogado no chão.

 

Com passos calmos ele começou a caminhar com Ashley nos braços.Devido a ter pisado no sangue dela, cada vez que caminhava ele deixava um rastro, um rastro de pegadas de sangue.

 

“É melhor você não vir junto a mim, jovem.”Disse Doncrow que estava de costa para One.

 

One olhou para as costas de Doncrow e pensou por um momento.

 

“Você pode me dar uma Técnica de cultivo?” Perguntou One.

 

Doncrow olhou para trás.

 

“Elas são inúteis a você, mas se você vendê-las pode conseguir algumas moedas.”

 

Ele acenou com o braço e um pergaminho voou para One.

 

Com passos lentos Doncrow continuou em frente com Ashley em seus braços. One assistiu enquanto ele sumia e deixava pegadas de sangue.